Évora recebe mais de uma centena de participantes no 17ºENE

O 17º Encontro Nacional de Ecologia teve lugar nos dias 15 e 16 de Novembro 2018, no Colégio Luis António Verney da Universidade de Évora, em parceria com o Seminário LIFE-Relict - Preservação das Relíquias da Laurissilva Continental. Dedicado ao tema “Ecologia ao Serviço da Sociedade” este encontro contou com mais de uma centena de participantes que, durante dois dias, discutiram temas transversais em Ecologia.

A ecologia é uma ciência ainda relativamente recente. Mas não deixa por isso de ser integradora e transversal que utiliza o conhecimento sobre as intricadas relações entre seres vivos e o meio que os rodeia, para explicar as funções que as espécies desempenham nos ecossistemas e sobre a forma como respondem aos problemas ambientais. Com a sua abordagem holística, a ecologia pode permitir prever ou modelar as consequências das alterações globais nos equilíbrios da natureza. Ou seja, usa a “leitura” da biodiversidade para explicar e prever as alterações no ambiente.

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Numa altura em que as sociedades são cada vez mais urbanas, que sentem e vivenciam o efeito das alterações globais, importa mostrar como a abordagem ecológica pode ser aplicada na elaboração de planos de gestão ecológica com vista à conservação e exploração sustentável dos recursos, no desenvolvimento de modelos explicativos da perda de diversidade ou mesmo no aconselhamento de estratégias futuras de desenvolvimentos tecnológicos. Estes foram temas bastante discutidos durante os dois dias de encontro.

Os participantes de diferentes nacionalidades foram, na sua maioria, jovens estudantes, mestres, doutorandos, doutores e investigadores de pós-doutoramento que usufruíram de momentos de discussão, com investigadores seniores que ali se encontravam. Como convidados do Seminário LIFE-Relict estiveram presentes cientistas espanhóis de renome internacional na área da flora e fitossociologia que contribuíram com a sua visão holística da vegetação para alertar para os perigos de governantes pouco sensíveis aos problemas ambientais.

Para que todas os trabalhos tivessem impacto, modalidades de apresentações curtas no anfiteatro ou pequenas explicações junto a todos os painéis serviram o propósito de incentivar os jovens a saber sintetizar e valorizar a sua investigação. Desta forma, e à semelhança do que foi já ensaiado em anos anteriores, incentivou-se a qualidade científica e promoveu-se o saber comunicar os dados obtidos.

Este encontro distinguiu-se de todos os outros por três aspectos fundamentais. Primeiro, a homenagem a um dos sócios de honra, neste caso o sócio nº 2, Professor João Carlos Marques, que nos premiou com uma excelente comunicação sobre o jogo das possibilidades para o desenvolvimento sustentável dos sistemas costeiros perante as alterações globais que actualmente se vive.

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O segundo momento foi a atribuição dos Prémios de Doutoramento em Ecologia - Fundação Amadeu Dias, aos três classificados (ver notícia). À semelhança do que aconteceu o ano passado este prémio é muito importante para a motivação dos estudantes para esta área do saber, tanto mais que este ano concorreram 15 jovens oriundos de norte a sul do país e ilhas. Como se previu o ano passado, este ano os estudos foram ainda mais competitivos e de elevada qualidade.

O terceiro momento foi a atribuição de Prémios de Mestrado em Ecologia em três áreas distintas, Ecossistemas de Montanha, Serviços de Ecossistemas Marinhos e Ecologia dos Sistemas Aquáticos (ver notícia). Estes prémios só foram possíveis ser atribuídos pela generosidade e empenho dos centros de investigação que apoiaram a SPECO neste incentivo, nomeadamente o Centro de Investigação da Montanha (CIMO) do Instituto Politécnico de Bragança, o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto e o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) consórcio de Universidades, respectivamente. Estes prémios foram uma forma que a SPECO usou como forma de valorizar o trabalho desenvolvido pelos jovens ao longo do seu mestrado. Os prémios, quer de doutoramento quer de mestrado, são exemplos de parcerias empenhadas num exercício consistente de desenvolvimento científico e social que muito enaltece a ciência ecológica que se desenvolve em Portugal.

Este Encontro ofereceu, ainda, a todos os participantes dois momentos culturais, que decorreram no dia 15 de Novembro. Uma visita guiada à cidade de Évora, património da Humanidade, e um beberete seguido de Cante Alentejano, oferecido pela Câmara Municipal de Évora. Foram momentos de grande beleza e intenso convívio que valorizou este encontro de 2018.